Quando vi a matéria no Gizmodo mostrando os slides que o Eduardo Saverin utilizava para vender o Facebook em 2004, a primeira impressão que tive é de ter visto um apanhado de transparências em xerox, provavelmente ele devia imprimir a apresentação e deixar nas empresas que visitava, e devem ter recuperado o material a partir daí.

Deixando as suposições de lado, tomei a liberdade de considerar o material como um exemplo do raciocínio que gostaria que me acompanhassem: é clichê falar que os slides tem muita informação e que pareciam bulas de remédio, mas é a verdade, nua e crua, escancarada em todos os sites essa semana. Se ele era um bom vendedor ou não, é um mérito que não devo (nem ouso) falar a respeito, mas não há freio que me seguro quando eu vejo uma apresentação mal cuidada, é como se eu fosse o padroeiro das apresentações maltratadas.

Qual o exercício proposto aqui na agência? Pegar a apresentação dele, analisar slide por slide, consolidar as mudanças necessárias e, então, desenvolver um exemplo do que acreditamos representar uma melhoria na apresentação. Claro que existem diversas maneiras de criar visualmente uma apresentação, e nós escolhemos uma linha minimalista, simples e com grandes áreas vazias. Por que?

1. Aproximamos a apresentação, visualmente, com a identidade do Facebook. Como é apenas um exercício, utilizamos a identidade atual da empresa, e não a antiga.

2. Minimalismo também é uma das características do Facebook, que aparentemente possui uma linha semelhante à Apple (aliás, muitas apresentações fora do Brasil possuem o mesmo estilo, provavelmente as referências criativas são as mesmas).

3. As áreas vazias significam espaços e margens de proteção, isto é, trabalhamos com espaços delimitados para evitar textos grandes demais ou uma lotação de informações (sejam em texto ou imagem).

No que acreditamos? Que visual e informação andam de mãos dadas. Como disse antes, não sei se esse material era o campeão de vendas, porém é fato de que existiam informações misturadas e desnecessárias durante a apresentação. Não basta você ter apenas o conteúdo e não ter o visual, da mesma forma que não basta você ter a apresentação mais bonita porém ter todas as informações confusas e aglomeradas: é preciso trabalhar o equilíbrio delas.

E de equilíbrio o macaco entende.